sábado, 30 de junho de 2012

É noite e ela vem.



Avisto ao longe com um sorriso bobo no rosto aquela imagem que habita meus sonhos e desejos, mais que habita, caminha ao lado de meu corpo, ou de um corpo que se faz meu e serve-me de uso, mas que não é gerido por minha autonomia. O Vento de repente faz uma curva e lá vem ela, com o andado hesitante, com receio de pisar em falso e minha mão não estar ao alcance para servi-la.
Uma estrela brilha e minha atenção é desviada, me deslumbro com o azul denso do céu e as nuvens que desenham um mar no espaço movido pela vertiginosa sensação que tenho ao olhar para cima e gira em torno de mim, quando percebo, vejo estrelas, no céu deslumbrante e escuto passos cada vez mais fortes, mais próximos de mim.
O barulho cessa. Sinto um calor perto do meu corpo, quase posso sentir o arrepio da pele que esta cada vez maia perto. Sinto uma respiração perto de meu ombro, o calor fica mais forte, com minha boca entre aberta desço meus olhos por terra selados pelo encontro de teus lábios. Uma força sublime emana de ti e caminha dentro de mim, tomando-me como um jato de teia, envolvendo todas as partes que eu não sabia existir e as partes que já eram tuas antes, doadas no encontro da noite que me assaltou de mim e ativadas por um contato com o Vento.

2 comentários:

  1. que vertigem de ler algo tão intenso.

    Uma descrição tácita. Muito bom.
    Abraços, oceano.
    ^^

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  2. Um sonho. Já realizado, também com estas singularidades. E agora, anseia por novos sonhos concretos....
    Estrela. Saudade.

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