Hoje, meus intervalos de fôlego são mais curtos. Em tempão eu acreditei que talvez passasse logo,
mas não é esse o caso. Não sei se consigo viver por muito mais tempo no mar,
não sei se posso aprender a respirar água e ficar sufocada com a superfície
terrestre cercada de ar e luz. Confesso que tem sido tão difícil. Minhas dores só
aumentam a freqüência e nos instantes de dormência vem um animo de dentro pra
fora impulsionado por essa força estranha que me invade e eu respiro com força,
encho os pulmões, abro a boca pego ar e ... passou. E a bolha estoura, o vidro
quebra, o abraço fica fraco, o tempo fica estranho, acelerado ou parado, lento,
de repente já passou e eu nem vi. A garganta quer falar mas o som não sai, as
lagrimas querem correr e correm, mas em conta gotas, e o cheiro se vai, se vai,
e vai, parte pra onde? E-u n-a-o s-e-i. E fico aqui, me perdendo, me batendo,
me dissolvendo, sabe aquele ditado água mole, pedra dura, tanto bate ate que
fura? Então, sou terra, sou pedra, estou furada, lascada, trincada, me despedaçando
mais e mais a cada nova onda ou velha, quase espalhando os pedaços no mar. E lá
vem a Onda...Eu só queria um buraco, deixar ela passar, me molhar mas não me
despedaçar, ir junto se preciso for ou se de repente seja melhor mudar, mas os
pedaços, será que espalhando vou conseguir me juntar ao mar? Mas eu sou Terra,
tem terra na água do mar? Ou são só grão, que depois de muito espalhar e rolar,
chegam a praia para caminha com o Vento?
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