sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tipo Assim...


Nau à Deriva

nau à deriva
no asfalto ou em alto mar
"perigo, perigo"
perdidos no espaço sideral
apocalipse now
à deriva
talvez um parto
talvez aborto
destroços da nave mãe
nau à deriva
no asfalto ou em alto mar
"perigo, perigo"
perdidos no espaço sideral
apocalipse now
à deriva
longe demais
do cais do porto
perto do caos
meu coração é um porta aviões
perdido no mar esperando alguém pousar
meu coração é um porto sem endereço certo
é um deserto em pleno mar

Va em paz


Até O Fim
não vim até aqui pra desistir agora
entendo você se você quiser ir embora
não vai ser a primeira vez
nas últimas 24 horas
mas eu não vim até aqui pra desistir agora

minhas raízes estão no ar
minha casa é qualquer lugar
se depender de mim eu vou até o fim
voando sem instrumentos
ao sabor do vento
se depender de mim eu vou até o fim

não vim até aqui pra desistir agora
entendo você se você quiser ir embora
não vai ser a primeira vez
em menos de 24 horas
mas eu não vim até aqui pra desistir agora

a ilha não se curva noite a dentro vida afora
toda a vida, o dia inteiro
não seria exagero
se depender de mim eu vou até o fim

cada célula, todo fio de cabelo
falando assim parece exagero
mas se depender de mim
eu vou até o fim

não vim até aqui pra desistir agora
não vim até aqui pra desistir

sábado, 30 de junho de 2012

É noite e ela vem.



Avisto ao longe com um sorriso bobo no rosto aquela imagem que habita meus sonhos e desejos, mais que habita, caminha ao lado de meu corpo, ou de um corpo que se faz meu e serve-me de uso, mas que não é gerido por minha autonomia. O Vento de repente faz uma curva e lá vem ela, com o andado hesitante, com receio de pisar em falso e minha mão não estar ao alcance para servi-la.
Uma estrela brilha e minha atenção é desviada, me deslumbro com o azul denso do céu e as nuvens que desenham um mar no espaço movido pela vertiginosa sensação que tenho ao olhar para cima e gira em torno de mim, quando percebo, vejo estrelas, no céu deslumbrante e escuto passos cada vez mais fortes, mais próximos de mim.
O barulho cessa. Sinto um calor perto do meu corpo, quase posso sentir o arrepio da pele que esta cada vez maia perto. Sinto uma respiração perto de meu ombro, o calor fica mais forte, com minha boca entre aberta desço meus olhos por terra selados pelo encontro de teus lábios. Uma força sublime emana de ti e caminha dentro de mim, tomando-me como um jato de teia, envolvendo todas as partes que eu não sabia existir e as partes que já eram tuas antes, doadas no encontro da noite que me assaltou de mim e ativadas por um contato com o Vento.

sábado, 23 de junho de 2012

Suspiro do Vento

"À Espera do Amado DesconhecidoQuem é esta mulher, a sempre triste, que vive no meu coração? Quis conquistá-la mas não consegui. Adornei-a com grinaldas e cantei em seu louvor... Por um momento bailou o sorriso no seu rosto, mas logo se desvaneceu. E disse-me cheia de pena: — A minha alegria não está em ti. Comprei-lhe argolas preciosas, abanei-a com leques recamados de diamantes, deitei-a em cama de oiro ... Bateu as pálpebras como um relâmpago de alegria que logo se apagou. E disse-me cheia de pena: — Não está nessas coisas a minha alegria. Sentei-a num carro de triunfo, e passeei-a por toda a terra. Milhares de corações conquistados caíram humildes a seus pés, e as aclamações reboaram pelo céu... Durante um momento brilhou o orgulho nos seus olhos, mas logo se desfez em lágrimas. E disse cheia de pena: — Não está na vitória a minha alegria.. Perguntei-lhe: — Que queres então? Respondeu-me: — Espero alguém que não sei como se chama. Depois calou-se. E passa os dias a dizer cheia de pena: — Quando virá o amado desconhecido? Quando o conhecerei para sempre? Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera" Tradução de Manuel Simões"