sábado, 23 de junho de 2012

Suspiro do Vento

"À Espera do Amado DesconhecidoQuem é esta mulher, a sempre triste, que vive no meu coração? Quis conquistá-la mas não consegui. Adornei-a com grinaldas e cantei em seu louvor... Por um momento bailou o sorriso no seu rosto, mas logo se desvaneceu. E disse-me cheia de pena: — A minha alegria não está em ti. Comprei-lhe argolas preciosas, abanei-a com leques recamados de diamantes, deitei-a em cama de oiro ... Bateu as pálpebras como um relâmpago de alegria que logo se apagou. E disse-me cheia de pena: — Não está nessas coisas a minha alegria. Sentei-a num carro de triunfo, e passeei-a por toda a terra. Milhares de corações conquistados caíram humildes a seus pés, e as aclamações reboaram pelo céu... Durante um momento brilhou o orgulho nos seus olhos, mas logo se desfez em lágrimas. E disse cheia de pena: — Não está na vitória a minha alegria.. Perguntei-lhe: — Que queres então? Respondeu-me: — Espero alguém que não sei como se chama. Depois calou-se. E passa os dias a dizer cheia de pena: — Quando virá o amado desconhecido? Quando o conhecerei para sempre? Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera" Tradução de Manuel Simões"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

monologo - quanto mais perto de si


Incrível o sentimento que algumas coisas nos despertam. Uma melodia, uma letra certa ou recortes de letra de uma musica, um olhar distraído para o lado, o vento que passou e acariciou o cabelo.
Silêncio ... Quem se aproxima de mim? Ah! É você, que estranho, posso jurar que te conheço de algum lugar, nossa! Ah, mas você conhece sim, do espelho lembra, sempre nos encontramos no espelho quando você termina o banho e eu apareço pra olhar teu rosto e depois fico nos teus olhos, ai você se vira e resolve dar uma volta pra se vestir, mas ai eu já to dentro de casa quando você volta de novo pra terminar de passar o brilho labial, lembrou de onde me conhece? Sei que só sou familiar, mas nos vemos todos os dias! Sim, é verdade, agora que você falou, me lembro de sempre receber alguém depois do banho, mas não tinha percebido como você se parece comigo, confio tanto no espelho que nem presto atenção(sorriso). Não se preocupe, nós nos falamos muito rápido e eu já sei para onde devo ir, quando você chega já corro pro meu canto, que é bem ai dentro, escondido em você (sorriso)
É, tem razão, por isso que quando noto a porta já ta fechada e eu penso que ta tudo igual, mas no final das contas, é você que tem acabado de passar. Será que entra mais alguém? Acredito que não, todos que entram sou eu que trago, e os trago no bolso, alguns caem, outros eu deixo no caminho, acabam caindo do bolso e eu não percebo e é claro, há os que não se entregam e também tem aqueles, você sabe, que as vezes vem abrir a porta porque já estão aí dentro. - Hum.. Então você traz todos para cá? - Sim! E quando vi me levar?

[...]

"Eu estive andando o mesmo caminho que sempre andei
Sentindo falta das fendas no pavimento
E quebrando o meu salto e machucando meus pés
"Há alguma coisa que eu possa fazer por você, querida?
Há alguém para quem eu possa ligar?"
"Não e obrigada, por favor, madame
Não estou perdida, só vagando" - Hometown glory - Adele

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Roxette - presente do Vento



So Far Away
In the coldest time of year,
darkness all around my heart.
I was alone but didn't fear
to wander in the light of stars.

In the bright and silent night,
winds would knock and disappear.
Still I felt the feeling near,
like the first time you were ever here

You're so far away, so far away,
you left me, you told me you would stay.
You never said goodbye
and I'll keep asking why,
I keep asking how,
oh come unto me now

I have breathed the morning air,
I have heard the four winds blow.
I was weary but prepared
to follow down this lonely road.

In the room where lovers sleep,
winds would knock and disappear.
Still I felt the music near,
like the first time we were ever here

You're so far away, so far away,
you left me, you told me you would stay.
You never said goodbye
and I keep wondering why,
I keep on wondering how,
oh come unto me now.

I keep on wondering how...

You're so far away, so far away,
you left me, you told me you would stay.
You never said goodbye
and I keep wondering why,
I keep on wondering how,
oh come inside me now.

I keep on wondering how,
oh come inside me now. 


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Tão Distante
Na época mais fria do ano,
A escuridão toma todo meu coração.
Eu estava sozinha mas não com medo,
De vagar pela luz das estrelas.

No brilho e no silêncio da noite,
Ventos bateriam e desapareceriam.
Tranqüila, eu sentia a ternura próxima,
Como da primeira vez em que você esteve aqui.

Você está tão distante, tão distante,
Você deixou-me, você me disse que ficaria.
Você nunca disse adeus
E eu continuo perguntando por quê.
Eu continuo perguntando como,
Oh, venha para mim agora.

Eu respirei o ar da manhã,
Escutei os quatro ventos soprarem.
Eu estava cansada, mas preparada.
Pra encarar esta estrada solitária.

No quarto onde os amantes dormem,
Os ventos bateriam e desapareceriam.
Tranqüila, eu sentia a música próxima
Como da primeira vez em que você esteve aqui.

Você está tão distante, tão distante,
Você me deixou, você disse-me que ficaria.
Você nunca disse adeus
E eu continuo querendo saber por que,
Eu continuo querendo saber como.
Oh, venha para mim agora.

Eu continuo querendo saber como ...

Você está tão distante, tão distante,
Você me deixou, você disse-me que ficaria.
Você nunca disse adeus
E eu continuo querendo saber por que,
Eu continuo querendo saber como.
Oh, venha para dentro de mim agora...

Eu continuo querendo saber como ...
Oh, venha para dentro de mim agora...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Instantes de Ar





Hoje, meus intervalos de fôlego são mais curtos. Em tempão eu acreditei que talvez passasse logo, mas não é esse o caso. Não sei se consigo viver por muito mais tempo no mar, não sei se posso aprender a respirar água e ficar sufocada com a superfície terrestre cercada de ar e luz. Confesso que tem sido tão difícil. Minhas dores só aumentam a freqüência e nos instantes de dormência vem um animo de dentro pra fora impulsionado por essa força estranha que me invade e eu respiro com força, encho os pulmões, abro a boca pego ar e ... passou. E a bolha estoura, o vidro quebra, o abraço fica fraco, o tempo fica estranho, acelerado ou parado, lento, de repente já passou e eu nem vi. A garganta quer falar mas o som não sai, as lagrimas querem correr e correm, mas em conta gotas, e o cheiro se vai, se vai, e vai, parte pra onde? E-u n-a-o s-e-i. E fico aqui, me perdendo, me batendo, me dissolvendo, sabe aquele ditado água mole, pedra dura, tanto bate ate que fura? Então, sou terra, sou pedra, estou furada, lascada, trincada, me despedaçando mais e mais a cada nova onda ou velha, quase espalhando os pedaços no mar. E lá vem a Onda...Eu só queria um buraco, deixar ela passar, me molhar mas não me despedaçar, ir junto se preciso for ou se de repente seja melhor mudar, mas os pedaços, será que espalhando vou conseguir me juntar ao mar? Mas eu sou Terra, tem terra na água do mar? Ou são só grão, que depois de muito espalhar e rolar, chegam a praia para caminha com o Vento?