As lentas nuvens fazem sono
Fernando Pessoa
As lentas nuvens fazem sono,
O céu azul faz bom dormir.
Bóio, num íntimo abandono,
À tona de me não sentir.
E é suave, como um correr de água,
O sentir que não sou alguém,
Não sou capaz de peso ou mágoa.
Minha alma é aquilo que não tem.
Que bom, à margem do ribeiro
Saber que é ele que vai indo...
E só em sono eu vou primeiro.
E só em sonho eu vou seguindo.
É preciso não esquecer nada
Cecília Meireles
É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos
severos conosco, pois o resto não nos pertence.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Passou...
Deu meu coração de ficar dolorido
Arrasado num profundo pranto
Deu meu coração de falar esperanto
Na esperança de se compreendido
Deu meu coração equivocado
Deu de desbotar o colorido
Deu de sentir-se apagado
Desiluminado
Desacontecido [...]
Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
Ai - Rubi
Recortes de Orpheu e Eurídici
Relendo O Banquete me pergunto se teria, como amante, tido a oportunidade de ir a “ilha dos bem-aventurados” caso Orpheu tivesse conseguido encontrá-la.
Ele que parado a frente de uma escuridão parecia um feto incapaz de conhecer o próprio corpo e de saber ate onde poderia estender os dedos da mão.
Mas Orpheu de repente começa a dançar ou a se contorcer na escuridão, a musica invade os sentidos e os vultos negros que vez por outra colocava uma mulher acima, mas ainda não tão alta quanto a noiva sem vida, desolada e ainda tão bela. Orpheu a se contorcer por alguns instantes, o contemplar do vazio perpétuo multiplicado no espelho que reflete e transparece; minha dor, minha perda por não conseguir expor meus sentimentos e ter de conviver com a realidade de que o que foi não mais será, nem voltará. Meu desencanto em buscar o que me faria sentir de novo, sentir-me viva, arrebatada, algo que não saísse de meus pensamentos, minha ilusão de não poder escolher não escolher. Meu abismo onde me sentia tão bem, após me acostumar com a ausência do que se quer cheguei a ter de maneira intensa.
[...] mesmo onde não queremos e não gostamos algo pode surgir, algo que terá ao menos o valor simbólico ou o valor de uma lembrança.
E quando o tive, ah - suspiro
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Ouvindo um som....
"Esse é meu lar, onde eu fico sozinha...
Esse é meu lar.
Que lar doce ele é
Fantasmas não sao reias
Esta é minha casa"
Esse é meu lar.
Que lar doce ele é
Fantasmas não sao reias
Esta é minha casa"
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