sábado, 9 de abril de 2011

Perseguindo Carros

Nós faremos tudo isto
Tudo
Sozinhos

Nós não precisamos
De nada
Ou de ninguém

Se eu deitar aqui
Se eu apenas deitar aqui
Você deitaria comigo e esqueceria do mundo?

Eu não sei direito
Como dizer
Como me sinto

Aquelas três palavras
são ditas demais
Elas não são o suficiente

Se eu deitar aqui
Se eu apenas deitar aqui
Você deitaria comigo e esqueceria do mundo?

Esqueça o que foi dito
Antes de ficarmos muito velhos
Mostre-me um jardim que esta se abrindo para a vida

Vamos passar o tempo
Perseguindo carros
Em volta de nossas cabeças

Eu preciso de sua graça
Para me lembrar
De encontrar a minha

Se eu deitar aqui
Se eu apenas deitar aqui
Você deitaria comigo e esqueceria do mundo?

Esquecer do que nos falam
Antes de ficarmos muito velhos
Mostre-me um jardim que esta se abrindo para a vida

Tudo que eu sou
Tudo que eu sempre fui
Esta aqui em seus olhos perfeitos, eles são tudo o que eu consigo ver

Eu não sei onde
também estou confuso sobre o "como"
Apenas sei que estas coisas nunca mudarão para nós

Se eu deitar aqui
Se eu apenas deitar aqui
Você deitaria comigo e esqueceria do mundo?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Do que padece Michael Berg?

        Fico dias e dias a pensar, lembrar e ver aquele homem que não consegue dizer adeus, ficar de frente a mulher amada e se perder nos olhos e lábios de Hanna.
        Talvez, só talvez, seja exatamente isso, perder-se em Hanna. Perder-se no turbilhão de afectos, sentidos e sentimentos provocados por um assalto da alma que é se vê diante de alguém que faz seu coração calar a bagunça dos ritmos dessincronizados.
        Michael permanece, amorosamente, no mundo das sombras, se alimentando furtivamente das lembranças de um amor que lhe marcou tanto, que talvez por medo de rasgar a página ele não se atreve a reescrever, a reler de modo que ecoe nos ouvidos e lábios de uma nova amante, permanecendo apenas um sussurro que se escuta quando nos entregamos à noite. 
         Padece da covardia do sentir. De um sentir demasiado insustentável diante da angústia da perda e do perder-se novamente no atravessamento da ciranda paixão. Mas não posso dizer que este é o padecimento de Michael, mas também dele.
         De que padece Michael Berg? Como seria grande meu atrevimento, como se na minha experiência pudesse eu dizer do que padeço.
         Como é maravilhoso Michael quando o vejo fazer o café da manha daquela mulher, ouvir a música, deixar a lágrima rolar na face de sua filha, caminhar no apartamento vazio.



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Assalto

Eu costumava pensar que “não me importo como o que os outros pensam” Mas hoje percebo que não só me importo como me incomodo com o fato dos Outros me assaltarem o direito de definirem como Eu estou quando nem mesmo eu sei verbalizar como me sinto, quando nem mesmo eu tenho palavras suficientes para explicar a grandeza do meu vazio.
Há dias em que sou invadida por uma escuridão tão intensa que nem a agressividade me é útil; nem a grosseria é um escudo forte o bastante para me proteger da tortura do sentir, o meu sentir.
A hipocrisia que diz ter o direito de proferir como estou.
Quando o que sinto vai ter algum valor? Algum valor para os que olham nos meus olhos e pensam ver minha alma? Minha alma que foi consumida pelo kaos, devorador da beleza que um dia reinou no castelo do meu corpo e se jogou pelas janelas ao ouvir o sopro do vento que bate na pele do meu Caronte. Alma que de repente não é mais minha, um dia foi? Será?
Acho que a prima-Vera chegou para derreter o gelo no inverno que congelou meu passo no abismo, mas ainda assim, ela não trilha meu caminho, ela, não caminha por mim, ditando o que estou sentindo a partir de sua vã interpretação.